Reportagem IV

domingo, outubro 15, 2006 à(s) 9:00 p.m.

Reportagem III

à(s) 8:57 p.m.

Reportagem II

à(s) 8:48 p.m.

Reportagem I

à(s) 8:02 p.m.

- Russia -

a ciência de fazer uma boa reportagem fotografica é pegar em muitas amostras e escolher poucas, ilustrando o mesmo que a totalidade.
ninguém disse que era fácil..

depois do reflexo

segunda-feira, agosto 28, 2006 à(s) 1:51 a.m.

nunca teria parado naquela janela se ao olhar apenas visse o meu reflexo.
a pitoresca cortina elevada apenas o suficiente, deixou mostrar a pilha de livros repousada na cadeira. por momentos fui remetida para a realidade desarrumada dos meus próprios hábitos.
realidades para além dos reflexos da rua.
recantos que só se conhecem quando levantamos o véu e nos permitimos a outros olhos.

momento da volta

à(s) 1:37 a.m.
pés no chão quente da varanda. um pouco à frente um lince repousa apreciando o mesmo calor, o que é de voltar ao seu lugar, de perdoar em silêncio, do cansaço da ausência.
pouco depois do pôr do sol. ergue-se um nic-nic de lua que não é mais que um pedaço do "sol que se patiu", ainda ofuscado pelos restantes raios ténues que se despedem de hoje. há um tom amarelado no horizonte próximo, por cima das casas desarrumadas ali. umas mais alinhadas do outro lado.. um pouco longe demais para perceber se alguém também (me) olha pela janela.
vai escurecendo e os tons rosados vão desmaiando para o azul que precede a noite.
o chão continua quente e o lince rebate as orelhas aos sons do costume. entrego-me a este sentimento que é o da liberdade do nosso espaço. de quem pode ficar aqui todo o tempo que o espirito nos pede. entrego-me a sentir o fresco leve do ar de cá, os morcegos que voam no brilho do seu sol tardio, o cheiro a marmelada que sobe da cozinha e os gritos do pavão no outro quintal. acenderam agora as luzes da rua. estou em casa.

destinos

sábado, agosto 05, 2006 à(s) 2:43 a.m.

como diz alguém que sabe.. "tens sempre destinos.mas eu sei que gostas"
poucas são as coisas que me realizam tanto como viajar. conhecer. interiorizar. aprender e deixar marca.
vim hoje.. vou daqui a pouco. volto daqui a uns dias.
vou mas fico.
não peço para esperarem. peço que fiquem.
qualquer que seja o meu destino, hei-de voltar sempre a casa. há-de acontecer sempre assim.

luzes

sexta-feira, julho 28, 2006 à(s) 10:30 p.m.

na música alguém falava..
o olhar perdido na mancha de luz, fixava o caminho.
por momentos esquecia se.. iria a caminho de que? de casa
era quando mais medo tinha. não de chegar, mas do próprio esforço, do percurso idêntico a sempre.
nesse dia chegou a casa por outra estrada. por ruas onde moram casas em que já viveu. onde já brincou e amou, despiu e dançou, suspirou e foi amada.

cada luz dessas memórias que passavam, brilhava mais. reflectia nos cristais ainda líquidos. há uma força que os acalma..
acordes que lembram que há tanto tempo para voltar.

sangue

quinta-feira, julho 27, 2006 à(s) 11:00 a.m.

ouço as palavras ditas naquela manhã e encolho-me de encontro ao ombro.
o pescoço rasga-se. uma linha diagonal nasce escarlate.. e chora.
não sei como, parece não doer. antes uma sensação quente de lábios que ali viveram e respiraram por momentos. protejo-me. aninho-me como que para fingir a ausência.
fecho os olhos e volto a adormecer

em cena

sábado, julho 22, 2006 à(s) 8:38 p.m.

preparo-me para entrar. calço-me e ato as fitas cor-de-rosa num laço perfeito. as collants não têm falhas e o tule tem um ar confiante. perfeito.
eu tremo.
a cortina ainda fechada deixa passar uma lâmina de luz. temo-a quando subo as escadas para ocupar o meu sítio.
à frente. ao centro. sempre foi o meu lugar. foi sempre onde a mestre me quis, para me mostrar que podia. para dar o exemplo.
a música vai entrar em breve. agito os dedos à procura da pose ideal. da postura. da altivez e segurança de bailarina que tardam naquele dia..
uma voz da boca-de-cena diz algo que nem entendo.. não olho porque a cortina abre. o espetaculo começa.
na audiência não percebi nenhum olhar em mim. apenas para trás de mim, as que seguindo o meu movimento, como o meu passado, erraram. sem serem eu.

privilege

sábado, julho 15, 2006 à(s) 12:28 a.m.


Make Yourself

para mim, o melhor dos albuns de sempre. de incubus. de todos.

cada dia que pego nele e me dedico.. parece diferente. aprendo sempre qualquer coisa mais.

incubus sempre foi a minha filosofia. nao quero saber se o Brandon Boyd é abichanado.. ou tem "vozinhas" e faz aqueles gemidos longos. nao me interessa puto saber o nome dos elementos da banda. onde é que eles andam, quando é que vêm cá, se é que vêm. fds.. não gosto de ser fã. gosto da musica deles. gosto muito.

este album é, como alguns outros, nao muitos, uma pequena (grande) parte de mim. mensagens tão simples. sem grandes construções. tão that's it .. quando venho lixada da vida é nele que pego, é com ele que grito, que ponho aos berros de vidros abertos.. naqueles momentos em que quero fazer sentido.

letras como as de "consequence", "pardon me", "make yourself", "when it comes", "the warmth", "out from under".. sei lá.. todas fazem sentido. fazem-me sentir mais eu. dão-me garra, fazem-me acreditar, olhar as coisas como elas são. "stellar" faz sonhar.. faz pensar. faz querer.

Isn´t it strange that a gift could be an enemy?

Isn´t it weird that a privilege could feel like a chore?

Maybe it´s me but this line isn´t going anywhere,

maybe if we looked hard enough,

we could find a backdoor (find yourself a backdoor)..

I see you in line, dragging your feet

you have my sympathy.

The day you were born, you were born free. That is your privilege.

make yourself - 'privilege"

..if the wind blew me in the right direction, would i even care? i would.

aqui ao lado

segunda-feira, julho 03, 2006 à(s) 3:00 a.m.

há dias em que preciso de ti aceso.
às vezes alguém te apaga ao amanhecer, alguém que há-de pensar o que saberás tu a mais que ela. nesses dias adormeço sob a tua luz de chama.. porque perdi a minha. as lágrimas fizeram-na sombra. quantas vezes.
deixei a música a tocar. hoje preciso mais que o teu silêncio.
vejo o meu perfil esbatido na janela. vou deixar-te aceso.
és-me mais que lágrimas.

encontro

domingo, julho 02, 2006 à(s) 3:23 a.m.
o mar não é azul, é verde.
porque com o cinzento das nuvens fica escuro e sério. porque com o sol fica claro e translúcido. porque é mais verdadeiro que azul. mais esperança e mais conforto.
porque se revolta e fica turvo, envolto nos restos perdidos das conchas do fundo.
e é verde porque azul é o céu. e nunca quis ser céu na existência de si.
a noite é escura. pela falta do sol. não. porque tem a sua luz e o seu sol, que ocultos a fazem brilhar.
o escuro transmite-se. a presença de algo, mais que a ausência de luz, transforma o meio. o vermelho é mais sedutor, os sons mais penetrantes, as ideias são mais puras e mais valentes no escuro da noite. daí nasce o orgulho do seu lustro.

o mar perde o verde na noite. as ondas sossegam e enchem-se de reflexos..
encontram-se numa linha que o espectro não distingue.
quem confiou ao sol, que dá a cor aos elementos, que deixe que a noite os roube assim..
sem receio?

pingo

domingo, junho 25, 2006 à(s) 2:45 a.m.


acordei e o relógio parou
nas sete e meia, que raio de hora
antipática.
mas na verdade pareceu-me bem
pareceu-me ilusoriamente cedo.
na noite anterior trovejara
lá fora, de pés descalços
no chão que ainda estava quente,
corria uma sinfonia de luz
relâmpagos violentos
urgentes
como se enviassem
mensagens sérias.
de manhã apenas pingava
água cristalina dos telhados
lavados pela tempestade.
o tempo continuava quente.
a luz era branca e não doía.

neons

à(s) 1:53 a.m.
não sei bem a banda sonora daquele espaço. niquéis chocam com as paredes metálicas que não estão gastas. só algumas.
olhos vidrados em frente a neons, ali.. noutro mundo. passo e entristeço-me.
não me sinto capaz de me rebelar contra aquela inércia em cadeiras altas, como se fossem as suas casas. assusto-me e pergunto como aquele ambiente pode ser algum dia familiar. onde se esconde o conforto que me querem estes corpos fazer acreditar? os neons não param e piscam. envolvem a loucura por trás de uma fila de máquinas com imagens coloridas que fogem.
não ouço uma única voz. nem a do crupiê. não a consigo ouvir mas sei que ali é carregada de desdém. daquele a quem passa o poder pelas mãos, mas não fica. Quantas vidas terão ali passado. Que desesperos. Que golpes de sorte. Que ruínas e que promessas num virar de cartas?
e no meio disto, tu.
um ar da mesma loucura, solidão.. ou apenas uma incredulidade semelhante à minha. não sei. não ouvi. não soube porque olhavas nem porque seguias os nossos passos. o que estavas a fazer no seio do nada?
podias ter sorrido. teria ficado tão mais esclarecida, tão mais descansada. os teus olhos claros gritaram-me alguma coisa.. o quê?

metamorfose

quarta-feira, junho 21, 2006 à(s) 8:21 p.m.

metamorfose. processo de evolução e desenvolvimento em vários estágios de maturidade e forma. as borboletas são o mais encantador exemplo disso mesmo.
uma vez ovos, depois lagartas. crisálidas no seu manto de seda. por fim borboletas de asas brilhantes.
presentes envoltos em papel por rasgar. olhares em espera de um brilho para sorrir. mariposas de asas enrugadas e húmidas.. estágios precoces dos acontecimentos.
que tempo? que premissa? quem sabe (ou sente) que luz faz uma pupa acordar para estender as suas asas?
uma razão tao forte como a que faz nascer um prematuro ou cantar um galo fora de tempo. a necessidade de viver.

brilho

terça-feira, junho 13, 2006 à(s) 11:58 p.m.
num chamado "golpe de vista", alguma coisa brilhou entre as folhas. uma teia frágil a reflectir os raios de sol.
uma vez, em pequena ainda, taparam-me os olhos e levaram-me ao encontro de uma teia tecida entre duas árvores. enorme, espessa.. com uma aranha gorda e peluda bem no seu centro.
acho que foi desde aí que nasceu em mim uma repulsa visceral a esses horrendos bixos. maravilhosos fiadeiros.

amarela

segunda-feira, junho 05, 2006 à(s) 12:43 a.m.
era uma minhoquinha minúscula.. e era amarela. ainda deve estar viva algures no jardim. prometo
para a Sónia.. por um sorriso
*beso

morangos

sexta-feira, junho 02, 2006 à(s) 3:40 a.m.
entrei na cozinha ás escuras.. senti um aroma. cheirava-me a morangos.
não acendi a luz. seria uma alucinação estranha. do sono talvez.. dos sonhos.
gosto dos cheiros. dos alperces, das mangas, do café, da canela, da relva cortada, do cedro, da chuva, das camisolas de inverno, dos livros antigos, da brisa salgada, dos tantos aromas suaves.. dos perfumes intensos, da pele, de alguém acabado de sair do banho.. gosto de fechar os olhos e sentir.
reconhece-los pelo que têm de próprio. pelo que marcam e denunciam. pelo que possuem.. porque nos possuem a nós, e não nós a eles.
vim deitar-me. não sem antes acender a luz e satisfazer a curiosidade. eram morangos. daqueles pequenos e doces

SBSR 06

quinta-feira, junho 01, 2006 à(s) 4:27 p.m.


Deftones.Placebo.Tool

o Super Bock Super Rock este ano foi assim. o melhor, sem dúvida. creio que tem vindo a melhorar a cada ano desde que adquiriu este novo formato. desde o grande Super Rock in Lisbon. muitos concertos, muitas (e grandes) bandas e muitas emoções, tudo junto!

ficam algumas imagens dos momentos.

ps. foi tão bom que até os mosquitos foram lá curtir, e beber á pala!

ps.2 Primitive Reason e Alice in Chains não constam.. iam estragar o enquadramento do post. pedimos desculpa.

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