barcelona

sábado, abril 21, 2007 à(s) 1:47 a.m.
- casa batlló -
a fotografia que ninguem se lembrou de tirar

ficar

à(s) 12:53 a.m.
encostado ao carro, via-a chegar. tremiam lhe as mãos. sempre que a amava desistia de partir.
a miúda morena caiu lhe nos braços.. desesperadamente doce. demasiado quente aquele corpo que lhe tocava o frio.

pareceu-lhe perfeita a noite de amena. de envolta naquele cheiro dela.
era tão parecido com o jasmim de volta a casa.

um karma de branco

domingo, abril 08, 2007 à(s) 11:55 p.m.
um dia vou gritar ao meu karma. mordo o lábio, abro a porta para a varanda e digo lhe umas. bem alto. (fdp do karma) vou e aperto lhe o pescoço!

não quero mais disto. não quero ser a sorte grande. nem a pequena. quero caber na estatística. ser mais normal às vezes. ser mais calhau. dos calhaus humanos. ser mais fdp ainda que o sr. K

dias brancos, trazem qualquer coisa com o granizo, uma mão que me puxa a orelha. chega ao pé de mim e sopra me um frio, uma consciência inaudível. desperta me (não me tinha sentido adormecer..)
questiono os meus S’s. procuro pelas minhas rectas.. e endireito me.
agora vou à procura do karma. creio que se estendeu para o infinito

magnolia

segunda-feira, março 05, 2007 à(s) 1:19 a.m.
to mom.
from mom.
everything.
magnolia

homenagem

sexta-feira, fevereiro 09, 2007 à(s) 9:48 p.m.

é com essa naturalidade com que bebes de um copo que contemplas o teu redor. inalas as cores e os sons. dão-te a sensação que os conheces. adquiri-los é-te fácil.
para ti o conhecimento não vem só nas letras, pessoas, nas canções e nas notícias. pequenas coisas, nadas para os outros, constroem-te. fazem-te sorrir. fazem-te pertencer a todos os lugares em que pousaste o olhar, em que imaginaste histórias.
trocas fragmentos de ti por aí. roubas pedaços de aí para ti. nada fica mais pobre. tu cresces e perpetuas esses nadas teus.
Deus dos pequenos nadas

white pony

à(s) 1:14 a.m.

..assim.. gravado na tua pele

em outro tempo

segunda-feira, janeiro 22, 2007 à(s) 8:11 p.m.
Nesse outro tempo, eu não vivi.
Era o tempo dos fatinhos brancos. Das amas de pele escura também de branco engomado a enfrentar o calor no ar, descontraídas. É o que dizem as fotografias dos álbuns das folhas grossas e negras.
Miúdos de pés descalços andam pela casca do arroz, escondem as sandálias de borracha atrás das flores do jardim e fogem contentes. Não há maneira da terra vermelha os agredir, pouco mais há que natureza tropical por ali.
Meninos alvos de calções e bordado inglês misturam-se com pernas negras ali no pátio. São-lhes indiferentes de tão familiares. Esperam pela hora em que alguém os chama da grande cozinha para o lanche. Pão-de-Ló e doce de papaia. Chá servido à sombra de uma árvore, para as amigas que vieram de longe lanchar. Parecia que tinham tempo de sobra.
Vivia-se no tempo em que a cor clara da rua entrava pelas casas dentro. O cheiro era uma mistura de goma e carvão, com a fruta amadurecida doce na árvore.
Tinha-se o tempo dos trópicos para tudo. Como era quente. Como se aliviava com uma limonada com muitas colheres de açúcar.

Vivo estes cenários como se fossem meus, de tantas vezes os ouvir contar.
Invejo-os por não sentir a marca desse sol e do ar húmido. Não conhecer os sons da noite. Não saber andar descalça, como as crianças nessa terra. longe.

decomposição

sábado, janeiro 13, 2007 à(s) 12:55 a.m.
cor . luz . distorção
decomposição dos vários tons da coca-cola, como os tons das pessoas vistas a transparências diferentes.

desintegridade

à(s) 12:50 a.m.
Uma palavra a mais.. um milímetro a menos nos espaços da peneira por onde passas.
eras uma pessoa sem sombra. sem nada teu para carregar, apenas palavras alegres, e os males dos outros. ver-te chegar era ver chegar a serenidade amistosa de um quase membro da família.
a tua mão era quente. o teu abraço completo. apertavas-me mais quando me vias pálida de olhos fundos. sabias sempre.
quantas vezes te falei das minhas lágrimas. quantas me pegaste ao colo como a filha que não tinhas?
tenho um eco de traição dentro da cabeça.. palavras que disseste a custo.. são o som que turva o que vejo. o brilho que ficou baço. a pena que se afogou num pingo salgado.. a tua sombra que apareceu sem que houvesse luz.
a desintegridade que não te conheço.

dream on

sexta-feira, janeiro 12, 2007 à(s) 12:22 a.m.
As your bony fingers close around me
Long and spindly
Death becomes me
Heaven can you see what I see

Hey you pale and sickly child
You're death and living reconciled
Been walking home a crooked mile

Paying debt to karma
You party for a living
What you take won't kill you
But careful what you're giving

There's no time for hesitating
Pain is ready, pain is waiting
Primed to do it's educating

Unwanted, uninvited kin
It creeps beneath your crawling skin
It lives without it lives within you

Feel the fever coming
You're shaking and twitching
You can scratch all over
But that won't stop you itching

..Can you feel a little love

Dream on.. dream on

Blame it on your karmic curse
Oh shame upon the universe
It knows its lines
It's well rehearsed

It sucked you in, it dragged you down
To where there is no hallow ground
Where holiness is never found

Paying debt to karma
You party for a living
What you take won't kill you
But careful what you're giving

..Can you feel a little love

Dream on.. dream on


Depeche Mode – “Dream On”

catarse

quarta-feira, janeiro 10, 2007 à(s) 7:31 p.m.
a prateleira enche-se devagar no tempo.
não ha mais espaço e tudo se soma num resultado lábil.. um produto das drogas doces como em pequenos frascos.
até quando.. as primeiras letras se terem apagado.
deu-se o catabolismo do que era simplório e orgânico. o que sobrou no frasco ficou sem cheiro nem rótulo. só inconsistente.
não há mais o nome do mel acre, do veneno mal-tolerado, no papel colado ao vidro.
Catarse. diluir em ácidos o nada que sobra disto. ferver em seco para sangrar o que não foi meu. e anemizar por isso.
cuspir o amargo para não morrer.

o distinto

quinta-feira, novembro 09, 2006 à(s) 9:25 p.m.
dar um dedo em vez da mão. tocar um olhar sem soar uma palavra. dizer um momento porque o pensamento é uno.
é menos tudo isto que o aço de uma aliança?
com quantas palavras se quebra um penar.. e com quantas a segurança de uma certeza?
a tendência para um amor declarado, figurado, do corpo presente, quase material é dita por aí. por todos os demais lados. imagens, simbolos, conceptualizações.
a hora marcada, o movimento da rotina, o silêncio depois do adeus sabido..aflitivo. necessária a necessidade, a vontade, o ideal. o intenso. o profundo, o visceral, o inexplicavel.
antes o lamber da ferida ao mascarar de uma cicatriz.

Tool - Novembro 2006

terça-feira, novembro 07, 2006 à(s) 11:48 p.m.






Tool, de volta a Portugal.

o atlantico não estava cheio. não havia um coro sonante no refrão dos grandes "hits". não havia modas. música aliada a um espectaculo visual e de efeitos que impressionam pela perfeita sincronização, pela dimensão que dão ao sentir dos sons.

Tool para quem gosta.

Reportagem IV

domingo, outubro 15, 2006 à(s) 9:00 p.m.

Reportagem III

à(s) 8:57 p.m.

Reportagem II

à(s) 8:48 p.m.

Reportagem I

à(s) 8:02 p.m.

- Russia -

a ciência de fazer uma boa reportagem fotografica é pegar em muitas amostras e escolher poucas, ilustrando o mesmo que a totalidade.
ninguém disse que era fácil..

depois do reflexo

segunda-feira, agosto 28, 2006 à(s) 1:51 a.m.

nunca teria parado naquela janela se ao olhar apenas visse o meu reflexo.
a pitoresca cortina elevada apenas o suficiente, deixou mostrar a pilha de livros repousada na cadeira. por momentos fui remetida para a realidade desarrumada dos meus próprios hábitos.
realidades para além dos reflexos da rua.
recantos que só se conhecem quando levantamos o véu e nos permitimos a outros olhos.

momento da volta

à(s) 1:37 a.m.
pés no chão quente da varanda. um pouco à frente um lince repousa apreciando o mesmo calor, o que é de voltar ao seu lugar, de perdoar em silêncio, do cansaço da ausência.
pouco depois do pôr do sol. ergue-se um nic-nic de lua que não é mais que um pedaço do "sol que se patiu", ainda ofuscado pelos restantes raios ténues que se despedem de hoje. há um tom amarelado no horizonte próximo, por cima das casas desarrumadas ali. umas mais alinhadas do outro lado.. um pouco longe demais para perceber se alguém também (me) olha pela janela.
vai escurecendo e os tons rosados vão desmaiando para o azul que precede a noite.
o chão continua quente e o lince rebate as orelhas aos sons do costume. entrego-me a este sentimento que é o da liberdade do nosso espaço. de quem pode ficar aqui todo o tempo que o espirito nos pede. entrego-me a sentir o fresco leve do ar de cá, os morcegos que voam no brilho do seu sol tardio, o cheiro a marmelada que sobe da cozinha e os gritos do pavão no outro quintal. acenderam agora as luzes da rua. estou em casa.

destinos

sábado, agosto 05, 2006 à(s) 2:43 a.m.

como diz alguém que sabe.. "tens sempre destinos.mas eu sei que gostas"
poucas são as coisas que me realizam tanto como viajar. conhecer. interiorizar. aprender e deixar marca.
vim hoje.. vou daqui a pouco. volto daqui a uns dias.
vou mas fico.
não peço para esperarem. peço que fiquem.
qualquer que seja o meu destino, hei-de voltar sempre a casa. há-de acontecer sempre assim.

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