zen

segunda-feira, abril 28, 2008 à(s) 6:29 p.m.

zen..
zen era poder viver aqui.
aprender a tocar umas cordas graves.
vocalizar umas notas ate me doerem as cordas vocais. bem alto.
ter um sofa branco virado ao michigan. num fim de tarde. num dia cheio de nuvens.

sentir um fundo quente num imenso silencio.

ah.. belo.

crónica de alguns dias

quinta-feira, abril 24, 2008 à(s) 7:40 p.m.

vamos. abro o vidro e vamos.
eu e a musica que já voou até ao amigo do lado. hoje apetece me achar que ele também deveria gostar deste meu barulho.
criou-se uma atmosfera de baixo e bateria onde flutua uma voz de lâmina. ou de um sarcasmo. ou de palavras banais. ou de noites drogadas. amor não tão ortodoxo.
sobem-me pela nuca, à volta do pescoço.. num curto respirar tenho uma imagem para cada um destes sons.
grito de dentro ate deixar de sentir os lábios e a cabeça. instala-se um transe e eu admito esse meu ritmo.
chego me mais perto a mim.
estou sem ar mas não morro.
sei e estou comigo.

escondidas no saguão

domingo, abril 20, 2008 à(s) 11:33 p.m.

"saguão" - aquele espaço entre as paredes de um prédio que não vai dar a lado nenhum e onde a saída é apenas para o céu.
no fundo é a face de dentro da intimidade, da casa, onde há roupa estendida, mais ou menos lavada. roupa mais ou menos vestida, vivida junto ao corpo suado de medo, de sexo, encharcado da irreverência das mãos que a lavam ou da chuva.
os nossos estendais são uma matriz figurada das vidas, vistas por dentro e presas com molas.
no chão deste espaço há sempre molas, beatas, meias e panos vencidos pela gravidade, pela significância.
lá no fundo há sempre lixo. e isto em todos os prédios, mais ou menos finos. não interessa nada porque todos têm vidas. e porque aqui também passam as linhas de esgotos.


venho aqui beber o meu café e penso nisto. na minha vida que anda por aí de cuecas.

in_rain_bows

terça-feira, abril 15, 2008 à(s) 11:06 p.m.

Radiohead - In Rainbows

(versão desconhecida. way nice, contudo)

s'alright

à(s) 10:58 p.m.
" i am a moth who just wants to share your light
i'm just an insect trying to get out of the night
i only stick with you because there are no others

you are all i need
you are all i need
i am in the middle of your picture
lying in the reeds

s'all wrong
s'alright
s'alright "


(tambem te sentes pequeno como eu.. thom?)

medical ethics

segunda-feira, abril 07, 2008 à(s) 11:13 p.m.

ai.. como é que era..
- a ética é de cada um e a moral é de todos -

(ou era ao contrario?)

e apreciar a nossa ética com os valores da sociedade. a sociedade tem moral?

The Cure

segunda-feira, março 10, 2008 à(s) 12:28 a.m.


Live Lisboa
Num espaço à dimensão do desguedelhado de lábios pintados de vermelho.
Num tempo que chegou às medidas de um pavilhão bem cheio!





sem tiradas à fã.. foi muito bom.

check! em mais um dos imperdíveis.
check! no Robert Smith com os seus anos de drogas em cima!
check! nestes bons hábitos.

artifício de Pandora

quinta-feira, fevereiro 28, 2008 à(s) 4:03 a.m.

não vejo a tampa deste cubo.
sinto as paredes forradas com aquele papel vintage. castanho. aconchegador. uma melodia. uma voz num tom mais grave que arredonda as palavras em cada fim.
acima há um ceu, de luzes em silencio.

sinto me tão bem aqui dentro.

travar sem chão

sexta-feira, fevereiro 08, 2008 à(s) 5:19 p.m.

há momentos em que paro. fracções de tempo em que o espaço está só na minha cabeça e os contornos do que eu penso são nítidos. eu paro aqui neste momento que me recordo e que é o que me significa.
paro e tudo à volta continua e vai estilhaçar-se lá à frente. todas as coisas que não me pertencem.

borrar quadros perfeitos

terça-feira, janeiro 29, 2008 à(s) 12:37 a.m.














das algumas fotografias, muitas já não me ocorrem, mas corre me delas a sensação de que todas eram tristes. todas com olhos de mais que aquilo. todas pálidas e sem um vinco de lábios. todas de graça.


esta não. sorri me feliz. borrada e suada.

porque nada é estático.

quinta-feira, janeiro 10, 2008 à(s) 11:18 p.m.

druida

à(s) 11:05 p.m.
aperto te a mão e abro as hostilidades. com mais fé agora. tu sentas te e levitas a mexer o teu caldeirão.
mantenho me de pé, com as pernas bem fracas.. vou tirando lascas da minha casca. drenando locas de cheio e outras de vazio. tu dás me o espaço onde me esventro. discuto o cerne e o momento do silêncio.
pacatamente fazes desenhos na tua sopa. os olhos por baixo do capuz brilham do que me fizeste.

pequeno druida.. tu nem comes dessa sopa.


desculpa, Dezembro

sábado, janeiro 05, 2008 à(s) 3:14 p.m.


seja da natureza fria e crepuscular do ar de Dezembro ou dos dias marcados por anos e emoções, este mês tem um espirito tao denso que nao me adormeço no tempo.
ainda há gente que se empenha nas suas montras, que constrói presentes para que brilhem debaixo da árvore. ainda há árvores bem pirosas com luzes acesas noites a fio.
as luzes da rua não fogem ao composto tradicional, que não pode ser minimalista. que Natal frio seria.
falam no consumismo. talvez não. o meu consumismo aplica-se com fé num sorriso. naquela inquietação miudinha. na surpresa.
para mim, o Natal vem sempre a 22. ou antes.. quando nos sentimos quentes dentro dos nossos casacos à noite na rua, e o nariz pinga.

casca tipo pele

quarta-feira, dezembro 12, 2007 à(s) 9:24 p.m.

aaah.. larga me pele!

membrana de aluguer! parece que flutuas a roçar os meus pelos.. nem as minhas marcas tens!

sublimação dos medos.. ergues te como uma manta contra o fogo. não aderes, não me espelhas! Isolas me.

o calor fica para lá de ti e eu sinto me estranha com a tua imagem.
quero sair! despe te do meu corpo!

doi me naquele sitio do desespero de mim comigo.

um crime à experiencia

segunda-feira, dezembro 03, 2007 à(s) 7:59 p.m.

a curiosidade matou o gato. ja se sabe.
o photoshop veio tentar me.. e eu nao resisti mais! tinha de pelo menos perceber as maravilhas que uma lente sozinha nao faz.

ficou bonito

para primeiro atentado as minhas fotos.. um crime bonito!

agoraphobia

domingo, novembro 25, 2007 à(s) 4:13 p.m.


e porque nao desisto eu tambem?
(daass..)


m

relance

quinta-feira, novembro 22, 2007 à(s) 7:19 p.m.



















imagens simples. sentimentos complexos

nua vulnerabilidade

à(s) 7:02 p.m.
aguardo me numa posição fetal.
o ambiente incomoda me de tão estéril.. tenho a sensação nítida de que sou mais pequena que o meu espaço, como se a pedra que me toca estivesse ao longe, na lente do que vejo.
sinto apenas a superfície exposta do meu corpo.
admito me assim.
percorro a pele macia que já não disfarça o volume agudo do osso. procuro as minhas mãos emaranhadas nos cabelos escorridos. Protegem me, quase tanto como procuram. percebo as frias, absurda e momentaneamente incapazes.

violência

sábado, novembro 10, 2007 à(s) 3:49 a.m.
sinto me violenta.
o meu sangue corre depressa e arde como ácido. provo o na boca. fico com aquele ar circunspecto e focado. sinto a minha expressão facial desta postura. quase podia ter fendas em vez de pupilas redondas.
respiro breve e ainda mais em silêncio.
não tenho frio com os 4ºC que aqui estão. não estou quente, por isso fundo me com o escuro. desapareço como corpo e sinto me mesmo a meio, acima dos meus olhos.
apetece me estar assim quieta. pairar.. que fluam os laivos das ideias.
apetece me ferir susceptibilidades, fazer perguntas indiscretamente comprometedoras, dizer que as tias também fazem sexo oral, saber que ainda temos preconceitos, sentir me má e sentir me bonita com isso.
visto me cada vez mais de preto. é uma dissimulada forma de violência. como o sexo.

ainda arde..

terça-feira, outubro 16, 2007 à(s) 12:05 a.m.
umas horas depois ainda ardem estas linhas. tem relevo! ainda a reacção à estranheza da tinta.
custou – fechei os olhos. quis morder a língua – ias me dizendo que sim..
assim foi nascendo esta mancha.
não é perfeita e por isso apaixona me. este pedaço de arte.

“Reciprocidade, não é nem será nunca simétrica”


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